A Coordenação de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Câncer (CVDANT) tem como competência exercer, no âmbito estadual, a vigilância das doenças crônicas não transmissíveis, com atenção às doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, diabetes mellitus, neoplasias e a doença falciforme, além da vigilância dos agravos à saúde associados a causas externas, tais como os acidentes e as violências.
Segundo o Decreto nº 48.661, de 31/07/2023, as atribuições definidas para Diretoria de Vigilância de Condições Crônicas, à qual a CVDANT está vinculada, incluem:
I – realizar a gestão e a análise dos bancos de dados dos sistemas de informação das condições crônicas, agravos e doenças não transmissíveis e de fatores determinantes;
II – monitorar de forma contínua e sistemática o perfil de morbimortalidade e investigar alterações do padrão epidemiológico;
III – fomentar a execução de medidas de prevenção e controle de condições crônicas, agravos e doenças não transmissíveis;
[…]
V – divulgar informações epidemiológicas referentes às condições crônicas, agravos e doenças não transmissíveis e de fatores determinantes;
VI – fomentar a implementação de instâncias de gestão de caráter consultivo, deliberativo e executivo para subsidiar o planejamento, a execução, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas, no âmbito de sua atuação;
[…]
A CVDANT objetiva fortalecer a vigilância de doenças e agravos não transmissíveis (DANT) e seus fatores de riscos em Minas Gerais, visando conhecer a distribuição das doenças e agravos no Estado, fomentar a organização de políticas públicas de saúde, subsidiar os municípios com diretrizes para reduzir a morbimortalidade das DANT e desenvolver estratégias intra e intersetoriais para a melhoria da saúde da população. As DANT compreendem dois grandes grupos de eventos: as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), caracterizadas principalmente pelas doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, neoplasias e diabetes mellitus, e as causas externas, tais como os acidentes e as violências. Inclui-se no escopo da coordenação a vigilância da Doença Falciforme, uma doença genética e hereditária e que apresenta uma condição crônica.
A estratégia para a realização da vigilância das doenças crônicas não transmissíveis e das causas externas no estado de Minas Gerais é descentralizar essa ação por meio de apoio técnico às Unidades Regionais de Saúde (URS) e municípios.
Missão: Fortalecer a vigilância de doenças e agravos não transmissíveis e seus fatores de riscos, visando fomentar a organização de políticas públicas de saúde e estratégias intra e intersetoriais de prevenção e assistência para a melhoria da saúde da população.
Visão: Ser referência de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Câncer contribuindo para a redução das mortes evitáveis em Minas Gerais.
O fortalecimento da vigilância de DANT é realizado por meio do monitoramento e análise dos Sistemas de Informação em Saúde, qualificação dos bancos de dados, disseminação do conhecimento por meio de publicações como análise de situação de saúde, boletins e informes epidemiológicos, painéis temáticos, entre outros.
Outra atuação importante da CVDANT é a realização de atividades, além da organização de materiais técnicos de apoio às ações de vigilância de DANT nos municípios.
As ações de Vigilância das Doenças Crônicas Não Transmissíveis: incluem o monitoramento das doenças cardiovasculares, neoplasias, diabetes e doenças respiratórias crônicas, que permite acompanhar os resultados produzidos diante da morbimortalidade por DCNT, bem como analisar a atual situação de saúde da população.
As ações de Vigilância do Câncer: visam produzir informações para tomada de decisões, sendo vários tipos de doenças que englobam a palavra câncer e que cada vez mais conquistam espaço como problema de saúde pública no mundo (INCA, 2015). A vigilância do câncer visa a estruturação, a manutenção e o aprimoramento permanente dos sistemas especializados de informação sobre câncer. São atividades da CVDANT a supervisão estadual dos Registros Hospitalares de Câncer e a operação do Registro de Câncer de Base Populacional de Belo Horizonte. As informações disponibilizadas são essenciais para a tomada de decisões estratégicas, em todos os níveis da gestão, além de serem de grande valia para os profissionais da área da saúde e pesquisa, dentre outros.
As ações de Vigilância dos Acidentes e das Violências (VIVA): possuem como objetivo conhecer a magnitude e a gravidade das violências e acidentes e fornecer subsídios para definição de políticas públicas, estratégias e ações de intervenção, prevenção, atenção e proteção às pessoas em situação de violência.
As ações de Vigilância da Doença Falciforme: permitem oferecer subsídios para explicações causais dos agravos de notificação compulsória e identificar riscos aos quais a população está exposta. Dessa forma, contribuem para a compreensão da realidade epidemiológica do estado. Trata-se de um instrumento fundamental para o planejamento em saúde, pois orienta a definição de prioridades de intervenção e possibilita a avaliação do impacto das ações implementadas.
Vigilância das DCNTVigilância do CâncerVigilância da Doença FalciformeVigilância dos A.T.TVigilância das ViolênciasOutras Causas Externas
Boletim Epidemiológicos
Indicadores
Manuais
Legislação
Marco Conceitual
1 – INTRODUÇÃO:
1.1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer nas secretarias estaduais de saúde das unidades federativas do Brasil e Distrito Federal foi implantado nas secretarias estaduais de saúde pelo Instituto Nacional de Câncer – INCA, órgão do Ministério da Saúde para as ações de vigilância e avaliação por meio dos sistemas de informação epidemiológica de morbidade. No estado de Minas Gerais, os trabalhos foram efetivamente implantados em 2001, com a iniciação dos registros de câncer de base populacional e hospitalares da rede de alta complexidade.
Essas atividades vêm sendo desenvolvidas desde então pelo Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer de Minas Gerais, que é uma das coordenações da Diretoria de Análise de Situação de Saúde da Superintendência de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e Saúde do Trabalhador da subsecretaria de Vigilância e Proteção à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais – PAV/DASS/SVEAST/subSVPS/SESMG
1.2 – O QUE É CÂNCER
São vários tipos de doenças que englobam a palavra câncer e que cada vez mais conquistam espaço como problema de saúde pública no nosso Estado e no mundo. Conforme a literatura, os cânceres acometem indistintamente pessoas de todas as idades, sexo, raça, culturas, países e religiões. Diferenças regionais são atribuídas à diferença na exposição da população a fatores de risco, associados ao estilo de vida ou diretamente relacionados a características genéticas da população.
O câncer denota genericamente o conjunto de neoplasias malignas. Embora a palavra câncer evoque a noção de “mal”, a denominação abarca grande grupo de doenças diversas, desde doenças de evolução indolente até doenças de progressão fulminante. Entre esses extremos, podemos encontrar doenças em matizes intermediários de agressividade. Diferentes tipos celulares (células epiteliais, células mesenquimais, células linfoides, etc.) originam diferentes tipos de neoplasia, com evolução distinta, formas de tratamentos particulares e prognósticos próprios. Simplesmente mencionar o câncer como um problema de saúde, não é suficiente para esclarecer com que entidade lidamos: é necessário indicar, pelo menos, qual o órgão acometido (a topografia) e o tipo celular da neoplasia (morfologia).
As neoplasias malignas representam crescimentos celulares desordenados, fora dos controles fisiológicos, que constituem novas populações celulares, previamente inexistentes. O comportamento maligno atribuído a determinadas neoplasias deriva de características próprias das células em proliferação, principalmente as propriedades de invadir os tecidos e de originar metástase à distância.
Para que uma neoplasia maligna se forme, é necessário que ocorram modificações no material genético (DNA) das células do próprio indivíduo. Essas alterações genéticas podem ser induzidas por agentes químicos, físicos e biológicos. Outras modificações são ainda necessárias, para que o DNA previamente alterado possa se expressar, modificando o fenótipo e o comportamento da célula. Classicamente, a primeira modificação é denominada “iniciação” e a segunda de “promoção”. Posteriormente, a neoplasia entra em “progressão”, etapa em que ocorre o crescimento tumoral. Nesse crescimento, as células se dividem, com possibilidade de novas alterações do DNA e em processos epigenéticos, que alteram ainda mais o fenótipo neoplásico.
Para os tumores que se originam em epitélios (carcinomas, melanoma), pode haver uma fase in situ, onde o crescimento celular está restrito ao epitélio, sem invasão do estroma; nesta fase, pela ausência de vasos no epitélio, não ocorrem metástases. A neoplasia invasiva é aquela que penetra o estroma, onde estão vasos sanguíneos e linfáticos, havendo a possibilidade de disseminação a linfonodos regionais e metástases a distância. A evolução do tumor maligno depende das características das células neoplásicas (capacidade de proliferação, de invasão, de penetração em vasos linfáticos ou sanguíneos, de estabelecer metástases à distância, resistência a drogas quimioterápicas, etc.) do órgão onde o tumor está localizado, de fatores constitucionais de cada pessoa, de fatores ambientais e outros. Em relação ao horizonte clínico, as neoplasias só produzem manifestações clínicas (sinais e sintomas), na medida em que alcancem determinado volume, na dependência do órgão acometido.
O conhecimento de fatores associados às etapas de iniciação e de progressão possibilitam ações preventivas, evitando ou controlando a exposição a diferentes agentes cancerígenos. Para algumas neoplasias, é possível a detecção precoce de lesões, ainda em fases iniciais, antes que ocorram manifestações clínicas. É o que ocorre no diagnóstico das lesões intraepiteliais (lesões displásicas e carcinoma in situ).
É fundamental a caracterização o mais precisa possível de cada neoplasia, em relação à linha de diferenciação celular, para o adequado planejamento terapêutico. Linfomas, carcinomas, adenocarcinomas e sarcomas de diferentes tipos, são doenças totalmente distintas, em relação à evolução e ao tratamento, ainda que abrigadas dentro da denominação genérica de câncer.
Independente da fase em que o câncer é detectado, há necessidade de se classificar cada caso de acordo com a extensão do tumor e essa classificação é chamada de estadiamento. Para tanto, o método mais utilizado é o preconizado pela União Internacional Contra o Câncer (UICC), denominado Sistema TNM de Classificação de Tumores Malignos que dá graduações para a extensão do tumor primário (T), a disseminação da doença a linfonodos regionais (N) e a presença de metástases a distância (M).
A classificação adequada da neoplasia e o estadiamento permitem ao médico oncologista propor o tratamento mais adequado para cada paciente. O sistema TNM não se aplica a todas as neoplasias. Para os linfomas, por exemplo, há sistemas de estadiamento próprio (SESMG, 2013, v.1).
1.3 – VIGILÂNCIA DO CÂNCER
A vigilância do câncer destina-se, como em qualquer sistema de vigilância, a produzir informações para tomada de decisões. Entre as ações específicas de vigilância do câncer realizadas pelo PAV-MG, de forma coerente ao que é desenvolvido pelo órgão que monitora os trabalhos estaduais, o Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva, encontram-se a estruturação e o aprimoramento permanente dos sistemas especializados de informação sobre câncer – os Registros de Câncer, assim como a elaboração e a divulgação das informações por eles produzidas. Essas informações são fundamentais e impulsionam a tomada de decisões estratégicas em todos os níveis. Essas informações têm o objetivo de apoiar o gestor, na medida que permitem a apropriação do conhecimento da realidade sobre a qual se deseja intervir e/ou modificar, com a possibilidade de olhar para as especificidades regionais em relação aos problemas que afetam a saúde da população, relacionados à questão do câncer no Brasil e respectivas unidades federadas (INCA, 2015).
1.4 – INFORMAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO CÂNCER
Os sistemas de informação em saúde são compreendidos como um conjunto de componentes integrados que atuam com o objetivo de obter dados e transformá-los em informações úteis para que os problemas de saúde de uma população possam ser resolvidos. É fato a importância de informações com qualidade e oportunidade que subsidiem políticas públicas. A informação é o recurso primordial para se chegar o mais próximo possível da realidade possibilitando traçar seu perfil, detectar problemas e agir para sua solução. Quanto mais organizado e padronizado for o processo, mais indicado se faz o uso de sistemas de informação que possam responder às demandas e às necessidades para tomada de decisão (INCA, 2016).
A informação epidemiológica de câncer em uma população pode ser classificada segundo a fonte de origem dos dados como:
Mortalidade – dados sobre o número de óbitos por neoplasias malignas que ocorrem em uma população sob vigilância. No Brasil as informações são disponibilizadas pelo sistema nacional de mortalidade – SIM.
Incidência – dados sobre o número de casos novos de câncer que aparecem numa população sob vigilância (carga da doença). A informação da incidência de câncer é gerada pelos registros de câncer de base populacional – RCBP
Perfil da assistência – dados sobre o perfil dos pacientes, diagnóstico, tratamento e acompanhamento (morbidade hospitalar/qualidade da assistência). A informação do perfil da assistência oncológica é gerada pelos registros de câncer de base hospitalar – RHC.
Prevalência – dados da ocorrência da doença (casos novos e antigos) ou dados do grau da exposição aos fatores de risco de câncer em um determinado tempo e população, geralmente obtidos através de inquéritos populacionais.
1.5 – O QUE SÃO REGISTROS DE CÂNCER
Os registros de câncer são centros de coleta, armazenamento, processamento e análise – de forma sistemática e contínua – de informações sobre pessoas com diagnóstico confirmado de câncer e são de dois tipos:
(a) Registro de Câncer de Base Populacional – RCBP, para dados de incidência na população residente em uma área geográfica definida e ano. A equipe do RCBP realiza uma busca ativa em hospitais, laboratórios e outras fontes de notificação, públicas e privadas.
(b) Registro Hospitalar de Câncer – RHC, para dados do perfil da assistência de câncer dos pacientes assistidos no hospital, SUS ou não SUS, a equipe do RHC é da instituição.
O sistema de informação do primeiro é o SisBasepopweb e do segundo, o SisRHC/Integrador, ambos do Instituto Nacional de Câncer José de Alencar José Alencar Gomes da Silva e disponíveis em http://www.inca.gov.br/cgi/sisbasepop.asp e http://irhc.inca.gov.br.
É oportuno lembrar que registrar casos de câncer não é uma tarefa fácil, principalmente nos países em desenvolvimento. Nesse contexto os registros de câncer estabeleceram-se e fortaleceram-se como parte importante de um sistema de informação para a vigilância do câncer, responsável pelo apoio à formulação da política nacional de câncer, ao planejamento de saúde e à avaliação da qualidade da assistência e como subsídio para a elaboração de trabalhos científicos (INCA, 2015).
1.6 – REGISTROS DE CÂNCER DE MINAS GERAIS
Registros de Câncer de Base Populacional – RCBP
No Brasil são 28 registros de câncer de base populacional, colaboradores do INCA, para as estimativas nacionais. O estado de Minas Gerais colabora com 2 RCBP, um que monitora a população residente na capital e outro em Poços de Caldas.
O RCBP de BH colaborou com as últimas oito estimativas nacionais do MS/INCA (2003, 2005, 2006, 2008, 2010, 2012, 2014, 2016) e o RCBP de Poços de Caldas nas três últimas. Ambos colaboram com as próximas estimativas do INCA, para o ano 2018 (válidas para 2019).
Registros de Câncer de Base Hospitalar– RHC
A rede estadual de registros hospitalares de câncer conta com 37 RHC ativos em instituições públicas e privadas. As primeiras bases de dados anuais são relativas ao ano 2000 dos 13 primeiros RHC do Estado. Atualmente vários RHC possuem série histórica ininterrupta de 17 anos de acompanhamento.
1.7 – CODIFICAÇÃO DAS NEOPLASIAS (CID 10)
Tabela 1.7 – Codificação das neoplasias selecionadas segundo a Classificação Internacional de Doenças – CID 10
Capítulo
Código
Elemento da Tabela
Códigos da CID-10
II
032-052
Neoplasias [tumores]
C00-D48
032
Neoplasia maligna do lábio, da cavidade oral
C00-C10
033
Neoplasia maligna do esôfago
C15
034
Neoplasia maligna do estômago
C16
035
Neoplasia maligna do cólon, do reto e do ânus
C18-C21
036
Neoplasia maligna do fígado e das vias biliares intrahepáticas
C22
037
Neoplasia maligna do pâncreas
C25
038
Neoplasia maligna da laringe
C32
039
Neoplasia maligna da traquéia, dos brônquios e dos pulmões
C33-C34
040
Outras Neoplasias Malignas da Pele
C44
041
Neoplasia maligna da mama
C50
042
Neoplasia maligna do colo do útero
C53
043
Neoplasia maligna do corpo e de partes não especificadas do útero
C54-C55
044
Neoplasia maligna do ovário
C56
045
Neoplasia maligna da próstata
C61
046
Neoplasia maligna da bexiga
C67
047
Neoplasia maligna das meninges, do encéfalo e de outras partes do sistema nervoso central
C70-C72
048
Linfoma não-Hodgkin
C82-C85
049
Mieloma múltiplo e neoplasias malignas de plasmócitos
C90
050
Leucemia
C91-C95
051
Neoplasias in-situ, benignas e de comportamento incerto ou desconhecido
Fonte: Classificação Estatística Internacional de Doenças Relacionadas à Saúde, 10ª revisão (CID 10), adaptado do Datasus (MS); disponível em www.datasus.gov.br; PAV/DASS/SVEAST,subSVPS/SESMG.
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